Mitos Sobre o Câncer

PorDra. Ludmila Thommen

Mitos Sobre o Câncer

Há muitas informações disponíveis sobre o câncer, algumas verídicas e outras não comprovadas, o que pode ser difícil separar os fatos da ficção. Equívocos sobre o tratamento do câncer podem trazer sofrimento, insegurança, culpa e falsas esperanças. Por isso, conhecer a verdade é fundamental para que você possa se sentir mais confortável e seguro com o tratamento contra o câncer.

Afinal, o que são os Mitos?

Ideias populares que se espalham embora cientificamente erradas ou não comprovadas e geralmente estão enraizadas em teorias antigas. Podemos separar em três categorias de mitos: psicológicos, miscelânea e alimentação/dieta.

A seguir, apresento os mitos mais persistentes sobre o câncer divididos em 3 tópicos:

Relacionados à fatores psicológicos/emocionais:

MITO: O câncer é uma sentença de morte.
FATO: A probabilidade de óbito por câncer diminui gradativamente desde os anos 90. Até 2040, estimam pesquisadores, que o número de sobreviventes de câncer nos Estados Unidos aumentará em quase 11 milhões: de 15,5 milhões em 2016 para 26,1 milhões em 2040.

MITO: O câncer sempre volta.
FATO: O câncer pode voltar algum tempo após o primeiro tratamento. Essa ideia pode ser assustadora, mas isso não é regra. Na maioria das vezes, nos estágios iniciais (estágio I e estágio II), as chances de o câncer voltar são menores. E em alguns casos, mesmo alguns cânceres em estágio III, podem ser tratados com resultados positivos e nunca recorrer. De forma padrão, todo paciente após terminar seu tratamento faz um acompanhamento por pelo menos 5 anos ou até mesmo por toda a vida para certificarmos de que tudo está bem.

MITO: Minha atitude positiva ou negativa (estresse) determina meu risco de desenvolver um câncer ou influencia na recuperação do câncer.
FATO: Estudos não encontraram evidências de que aqueles que estão mais estressados ​​têm maior probabilidade de contrair câncer. Mas como lidar ou gerenciar o estresse pode afetar a sua saúde. Por exemplo, você pode fumar quando está estressado ou até mesmo fumar mais do que habitualmente. Em momentos de estresse pode comer mais ou comer de forma errada. Da mesma forma o consumo excessivo de álcool pode ocorrer. Dessa forma, é preciso cuidar em como gerenciar o estresse para não interferir negativamente na doença.

Miscelânea:

MITO: Usar sutiã apertado ou de aro pode causar câncer de mama.
FATO: Não há evidências de que os sutiãs causam câncer de mama.

MITO: Usar antitranspirante nas axilas pode causar câncer de mama.
FATO: Não há evidências de uma conexão entre antitranspirante nas axilas e câncer de mama. A crença é baseada no fato de que os pesquisadores encontraram vestígios de alumínio nos tecidos e fluidos mamários. Outra teoria era que os antitranspirantes, ao interromper a transpiração nas axilas, podem impedir a liberação de substâncias tóxicas dos linfonodos nas axilas, aumentando também o risco de câncer. No entanto, não há evidências de uma ligação entre o uso de antitranspirantes e o câncer de mama. Se o produto químico é encontrado na área da mama não significa necessariamente que está causando problemas. Mas, mesmo se não houver vínculo entre antitranspirantes e câncer de mama, considero ser prudente reduzir sua exposição ao alumínio. Uma opção seria verificar o rótulo, pois quanto maior a porcentagem presente mais alumínio o produto contém.

MITO: Fazer uma biópsia faz com que o câncer se espalhe.
FATO: Não há absolutamente nenhuma evidência de que fazer uma biópsia ou remover o câncer a espalhe. Existe toda uma técnica usada pelo especialista durante a realização de uma biópsia ou durante uma cirurgia oncológica. É importante lembrar que quando se trata de um câncer removê-lo ou testá-lo é um processo importante do diagnóstico e na definição do melhor tratamento.

Dieta:

MITO: Comer açúcar causa câncer e pode piorar o resultado do meu tratamento.
FATO: Ao falar de açúcar estamos falando de carboidrato que é o principal combustível do corpo humano. A glicose é um tipo de carboidrato e ela é encontrada no arroz, batata, massa, pão… Todas as células do corpo utilizam a glicose como fonte de energia e o câncer não é diferente. Mas o câncer também utiliza proteína, aminoácidos e gorduras. Logo, cortar o açúcar pensando que tudo está resolvido é errado. O açúcar sozinho não tem a capacidade de entrar na célula, danificar o DNA e gerar um câncer. O que acontece é uma associação indireta e o grande problema é ficar obeso. A obesidade pode deixar o nosso corpo inflamado e a gordura funciona como um órgão endócrino, pois produz hormônio.

Dica: todos nós precisamos de um consumo regrado de açúcar
Quem é o vilão: mau hábito alimentar

MITO: Os adoçantes artificiais causam câncer.
FATO: Não há evidências científicas sólidas de que algum dos adoçantes artificiais aprovados para uso cause câncer. A dúvida com relação ao adoçante surgiu com estudos iniciais com alguns tipos de adoçantes podendo causar câncer em animais de laboratório. No entanto, os resultados de estudos subsequentes não forneceram evidências claras de uma associação com câncer em humanos. Alguns exemplos: Ciclamato em combinação com a sacarina causava câncer de bexiga em animais de laboratório. Doses muito altas de aspartame causou linfoma e leucemia em ratos.

MITO: Existem produtos à base de plantas que podem curar o câncer.
FATO: Noni à não há confirmação científica e já foram relatados efeitos tóxicos ao fígado. Graviolaà é uma fruta que tem propriedades anti-inflamatórias, então pensando no propósito de se alimentar não é um problema o consumo dessa fruta. Porém, a graviola não tem a capacidade de entrar e matar a célula do câncer. E ainda se usada em excesso pode levar a sobrecarga renal e hepática.

MITO: Super-alimentos: blueberries (mirtilos), beterraba, brócolis, alho, chá verde… FATO: É preciso lembrar como o nosso corpo é complexo e o câncer também. Portanto, é incoerente dizer que qualquer alimento, por si só, pode ter uma grande influência sobre sua chance de desenvolver câncer.

MITO: Dieta alcalina ajuda as células cancerígenas a crescer.
FATO: A dieta alcalina é baseada na teoria de que comer certos alimentos pode alterar os níveis de ácido do corpo, também chamados de níveis de pH. Mas atenção: o pH do corpo é um sistema muito bem regulado. Se você mudar a sua dieta, poderá observar alterações no pH de sua saliva ou urina porque esses são produtos residuais, mas não há como você comer o suficiente para realmente afetar seu sangue.

Após muitos estudos ficou comprovado que o tumor é quem provoca alterações tornando o meio em sua volta mais ácido e não é o meio ácido que causa tumor. Assim, ainda existe a ideia de que uma dieta rica em alimentos alcalinos (pH alto) e baixa em alimentos ácidos aumentará os níveis de pH do corpo (tornará o corpo mais alcalino) e prevenirá ou até curará o câncer. Precisamos atentar que os estudos foram em células e não representam a natureza complexa de como os tumores se comportam no corpo humano. Portanto, busque o equilíbrio na alimentação adequada e balanceada para ajudar a se sentir melhor durante o tratamento do câncer ou a qualquer momento da sua vida.

MITO: Água alcalina cura o câncer.
FATO: A água da torneira residencial é geralmente alcalina. Quando a água atinge seu estômago, que é ácido imediatamente se neutraliza. Comprar uma água “milagrosa” é um contrassenso.

 

O que os pacientes com câncer devem saber antes de mudar suas dietas?

Pesquisas mostram que não existe uma dieta ou alimento que possa curar o câncer. E cuidado com dietas radicais ou curas milagrosas.

 

Bibliografia:

– American Cancer Society. Cancer Treatment & Survivorship Facts & Figures 2019-2021. Atlanta: American Cancer Society; 2019.
– Projections based on data from Figure 1 in Bluethmann SM, Mariotto AB, Rowland, JH. Anticipating the “Silver Tsunami”: Prevalence Trajectories and Comorbidity Burden among Older Cancer Survivors in the United States. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2016;25:1029-1036.
– Soffritti M, Belpoggi F, Esposti DD, Lambertini L. Aspartame induces lymphomas and leukaemias in rats. European Journal of Oncology 2005; 10(2):107–116.
https://www.inca.gov.br/mitos-e-verdades/alimentacao

 

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