O que é câncer ginecológico?

PorDra. Ludmila Thommen

O que é câncer ginecológico?

O câncer ginecológico é qualquer câncer que começa nos órgãos reprodutivos da mulher, incluindo colo do útero, útero, ovários, trompas de falópio, vagina e vulva.

Em comparação com outros tipos de câncer (como câncer de mama ou cólon), os cânceres ginecológicos são considerados raros.

Importante saber que a maioria dos tipos de câncer ginecológico, exceto o câncer cervical, não tem bons testes de rastreamento. Assim, é importante que as mulheres conheçam os sintomas para que a detecção precoce seja possível.

Existem cinco tipos principais:

Câncer cervical ou colo uterino
Câncer uterino (endometrial)
Câncer de ovário
Câncer vaginal
Câncer vulvar

Nesse texto, vou falar sobre o que você deveria entender sobre câncer de colo uterino.

Câncer de colo uterino

Ocorre no colo do útero, a estrutura que conecta o útero à vagina.

Aproximadamente 16.590 mulheres serão diagnosticadas com câncer do colo do útero a cada ano do triênio 2020-2022, segundo Instituto Nacional do Câncer.

O exame de Papanicolau detecta alterações pré-cancerosas, permitindo o tratamento precoce, muitas vezes, antes que o câncer se desenvolva. Nesse exame o médico usa uma pequena escova para raspar suavemente o colo do útero, coletando células que podem ser vistas ao microscópio e estudadas para detectar sinais de câncer.

Mulheres saudáveis ​​devem fazer seu primeiro teste de Papanicolau aos 21 anos e, se for normal, faça um a cada três anos até os 65 anos.

Antes do surgimento do câncer cervical, as células do colo do útero passam por alterações pré-cancerosas, conhecidas como displasia. Normalmente, este é um processo lento que se desenvolve ao longo de muitos anos. Um teste de Papanicolau realizado a cada três ou cinco anos procura essas mudanças. Se células pré-cancerosas forem encontradas, elas geralmente podem ser removidas.

Quase todos os cânceres cervicais estão ligados ao vírus HPV, e com o desenvolvimento da vacina contra o HPV conseguimos realizar a principal forma de prevenção.

A imunização generalizada contra o HPV, recomendada desde 2014 pelo Ministério da Saúde para meninos de 11 a 14 anos e meninas de 9 a 14 anos, reduzirá significativamente o diagnóstico de câncer cervical nas gerações futuras. Devem ser tomadas duas doses, com intervalo de seis meses.

As vacinas não podem prevenir o câncer cervical se a mulher já tiver sido infectada com o vírus HPV, por isso é importante ser vacinada antes do início da atividade sexual.

Outro ponto que gostaria de complementar é sobre o ato da coleta do Papanicolau: é aproveitado e adicionado à exames para detectar o HPV (vírus do papiloma humano). Se uma mulher estiver infectada por subtipos do vírus que são relacionados ao câncer, o médico pode exigir alguns exames e fazer o exame de Papanicolau com mais frequência para monitorar quaisquer anormalidades encontradas no colo do útero.

Se eu fui exposta ao HPV, quais são as minhas chances de desenvolver câncer cervical? Posso fazer algo a respeito?

A maioria das pessoas infectadas com HPV não desenvolve câncer. Na verdade, muitas infecções por HPV desaparecem em 1-2 anos. Atualmente não há tratamento para infecções por HPV, mas existem tratamentos cirúrgicos para lesões pré-cancerosas (displasia cervical), caso se desenvolvam. O tratamento precoce pode ajudar a prevenir o desenvolvimento de câncer.

Os primeiros sintomas de lesão pré-câncer ou do câncer do colo do útero são: Sangramento vaginal anormal, corrimento vaginal incomum, dor pélvica ou nas costas e sangramento após a relação sexual ou dor durante as relações sexuais.

Tipos de câncer (carcinoma) de colo uterino:

É classificado com base no tipo de célula em que se desenvolve. Os tipos mais comuns de câncer cervical são:

Carcinoma de células escamosas: é o tipo mais comum de câncer cervical e é encontrado em 80% a 90% dos casos. Ela se desenvolve no revestimento do colo do útero.

Adenocarcinoma: Este tipo de câncer cervical se desenvolve nas células da glândula que produzem o muco cervical. Cerca de 10% a 20% dos cânceres cervicais são adenocarcinomas.

Carcinoma misto: ocasionalmente, o câncer cervical apresenta características de carcinoma de células escamosas e adenocarcinoma.

Em casos raros, outros tipos de câncer, como neuroendócrino (câncer cervical de células pequenas e grandes), melanoma, sarcoma e linfoma, são encontrados no colo do útero.

Estadiamento do câncer de colo uterino:

Depois que o câncer cervical é diagnosticado, são feitos testes para descobrir se as células cancerosas se espalharam dentro do colo do útero ou para outras partes do corpo. São eles:

Exame pélvico
Ressonância nuclear magnética (RNM) de abdómen e pelve com contraste para avaliar todas estruturas próximas do colo uterino.
Casos selecionados PET-CT e exame para ver diretamente a bexiga (cistoscopia) ou o intestinal (retossigmoidoscopia).

Tratamento do Câncer do colo uterino:

Após a realização dos exames acima, conseguimos saber quão avançado o tumor encontra-se e dessa forma podemos definir a melhor estratégia de tratamento.
De forma geral, o tratamento pode incluir:

– Cirurgia
Histerectomia total ou histerectomia radical.
No caso que a paciente deseja preservar fertilidade e sendo tumor bem inicial pode ser realizado traquelectomia via vaginal ou conização.
– Radioterapia ou braquiterapia após cirurgia (adjuvante)
– Quimioterapia junto com a radioterapia de forma definitiva sem cirurgia
– Somente quimioterapia

Na verdade, tudo é bem individualizado e depende do estágio que está o tumor, da preferência da paciente em conjunto com a abordagem que oferecer a melhor taxa de resposta/ melhor resultado.

Referencias
https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil
https://www.uptodate.com/contents/human-papillomavirus-vaccination?search=cervical%20cancer&topicRef=3179&source=see_link
https://www.uptodate.com/contents/invasive-cervical-cancer-epidemiology-risk-factors-clinical-manifestations-and-diagnosis?search=cervical%20cancer&source=search_result&selectedTitle=1~150&usage_type=default&display_rank=1#H2561267890

Dra. Ludmila Thommen

Sobre o autor

Dra. Ludmila Thommen administrator

Deixe uma resposta